Sinto-te mesmo a meu lado, o teu cheiro destaca-se: não o explico, porque o sinto demais no meu nariz agora, e acaba por me atrofiar o pensamento. a tua maneira de me olhar tão terna: inclinas um bocadinho a cabeça, para baixo, para o lado do coração, mostrando que te faço bem, mostras o primeiro dente, o segundo, o terceiro, e quando reparas já tens um sorriso bem esboçado, que só eu vejo, que só eu noto, que só eu sinto, que só eu percebo. Vejo-te a passar-me a mão no rosto, do lado esquerdo da face, sem maldade, só com a vontade de me sentir a pele, e eu semicerro os olhos porque te estou a sentir a pele também, porque quero que pares ali e me deixes apertar-te a mão contra o meu ombro para eternizar, para nunca mais apagar. Tu percebes e deixas-te ficar, porque o meu sorriso tornou-se demasiado claro para ti. Entra alguém, e apesar de não termos dívidas, a mão solta-se, tu fixas-me nos olhos e eu abro os meus, lentamente, muito lentamente, porque a tua mão na minha cara tornou-me em segundos maior, melhor, feliz. Pouco importa quem entrou, porque entrou, porque está à nossa volta; abraças-me e tornas-me pequena, uma menina pequena, um bebé, mas das-me segurança. Pousas a cabeça por cima da minha, ou uns centimetros ao lado, e ouço o teu inspirar e expirar, que se repete, e que me soa sempre de maneira diferente. sinto os nossos ares a misturarem-se, a fazerem exactamente o que a nós apetece também. O teu braço esquerdo por cima do direito, envolvem-me o corpo, as minhas mãos estão paradas nas tuas costas, embora os meus dedos tentem entrar por ti dentro e entretanto sinto-te as mãos a tremer, como no teu primeiro dia de escola, e o meu pequeno coração começa a soltar-se, a aumentar, a aumentar, sempre e sempre mais... Inclino a cabeça para trás, não mais que cinco centímetros para não perder o calor que se foi formando, e sem a inclinar para cima procuro-te os olhos, obrigando os meus a levantar-se, como se tentassem olhar para o céu. Fecho a boca, muito, de forma a que ela pareça uma flor, antes de desabrochar, uma pré-flor, e vou deixando que ela cresça e acabe por terminar num sorriso, que obriga os meus olhos a abrirem ainda mais. E quando te procuro o olhar encontro-te à procura do meu também. Não são olhares cruzados, são olhares misturados. Milésimos de segundos multiplicaram-se centenas de milhares de vezes, ou se calhar não, mas que importa o tempo? Importa-me o pousar de pés :o teu, o meu, o teu, o meu. como se de uma sequência perfeita se tratasse. E trata! ...
E afinal, quem entrou antes, entrou para me acordar. são horas de levantar, são horas de tomar banho, pentear o cabelo, por creme, lavar os dentes, tomar o pequeno almoço ir para as aulas, voltar das aulas, almoçar, voltar para as aulas, voltar das aulas, jantar e uma vez mais, adormecer e sonhar. Sonhar em horas o que dura segundos. Sonhar porque no dia seguinte voltarei a acordar...
Amo-te mais agua que as torneiras, amo-te muito mais alto que as nuvens, amo-te mais vento que as tempestades, amo-te mais!
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